Sinto que deveria estar como se o mundo tivesse acabado. Mas não estou. Algo come meu estômago e não sei como acabar com isso. Tudo o que consigo lembrar é o que me traz esse frio . A vontade para que a semana recomesse é enorme e conto as horas para que logo o horário de descanso acabe. Porque em relação à isso, quero mesmo que acabe. Pois o recomeço é o fim da agonia.
Caiu meu chaveirinho da sorte precipício abaixo e me atiro de cabeça em busca dele, antes que caia no chão. *consegui, peguei!!* e o chão se aproxima. Mas ainda tenho o chaveiro. É o que importa. Espero.
Quero saber o significado da fragrância que corrói tudo, como veneno. Sei que tudo deveria estar distante. Mas não está. Talvez uma camuflagem resolva… e ninguem me ache. *Papai do céu, só não me deixe esquecer quem eu sou* — ?
Tento pensar em coisas que não me deixem lembrar das noites em que fiz planos para trocar os meus olhos por estes restos de comida ruim; Cinzas de cigarro molhadas impressas no tapete; Festas em que estive e ninguém me viu atirar bolo aos peixes. Pra que teorizar sobre estar só, se o inverso de ser feliz é a certeza de saber que nem sempre temos respostas que queremos ouvir. "Então me liga!" - ela disse. Na verdade sequer lembra o meu nome. "Ligo sim... é claro!" – respondi. Acabo sempre ligando. "Sabe, hoje talvez passe aquele filme que eu gosto tanto"... É eu podia ser gentil e perguntar coisas fúteis, mas o que eu queria mesmo é ter um copo de água suja pra beber e parar de fingir não saber se o vazio é bem maior agora que sabemos ter feito o melhor pra nós dois e deixamos tudo mais pra depois. Sabe, às vezes, penso mesmo que dizer: "deixa pra lá", cansa menos e você? [Os Funerais do Coelho Branco- Dance of Days]